Empresas ligadas ao advogado Paulo da Cruz Duarte, apontado como sócio profissional da ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, receberam R$ 9.617.738,49 da operadora Santa Casa Saúde somente em 2025.
Os pagamentos são investigados pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. No mesmo exercício financeiro, a operadora registrou resultado negativo de R$ 3.555.901,12.
De acordo com o documento, as empresas vinculadas a Paulo foram inseridas progressivamente na estrutura da Santa Casa Saúde e passaram a atuar em serviços jurídicos, atendimento, cobrança, emissão de boletos, comercialização de planos, entrevistas qualificadas, telemedicina, publicidade e implantação de uma filial em Dourados.
Para o Ministério Público, a fragmentação das atividades entre diferentes pessoas jurídicas teria criado uma aparência de independência empresarial, apesar de todas estarem relacionadas ao mesmo núcleo.
A investigação também aponta que Alir e Paulo mantinham uma sociedade profissional e trabalhavam juntos em um escritório de advocacia instalado em um imóvel pertencente à ex-presidente da Santa Casa.
Além disso, a análise bancária identificou que Alir recebeu mais de R$ 200 mil diretamente de Paulo. O Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) considera o fluxo financeiro relevante porque as empresas do advogado foram contratadas pela operadora durante a gestão dela.
Parte dos contratos, notas fiscais, relatórios de execução e critérios usados para calcular os pagamentos não teria sido apresentada integralmente ao Conselho Fiscal da instituição. Conforme os investigadores, a falta dos documentos impediu a verificação dos serviços efetivamente prestados.
Operação
Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
O contrato investigado previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano para a digitalização dos prontuários da Santa Casa. Com duração de três anos, o acordo poderia chegar a R$ 5,4 milhões.
Conforme o MPMS, no primeiro ano de execução foram identificados pagamentos elevados sem que os serviços contratados fossem efetivamente prestados. O prejuízo estimado nessa frente da investigação chega a R$ 1,4 milhão.
As apurações também avançaram sobre contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com outras empresas do mesmo grupo econômico.
Segundo o Ministério Público, essas empresas tinham como proprietário uma pessoa ligada à diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço, que, na prática, estaria desocupado.
Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos pela operadora a essas empresas, segundo a investigação. O MPMS aponta que os contratos teriam provocado um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões.
Os dois casos já identificados somam mais de R$ 4,9 milhões em prejuízos à Santa Casa. O valor, porém, ainda pode aumentar, já que a investigação continua.
O MPMS também afirma que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.



