
A demanda continua dando suporte aos preços da soja e do milho, enquanto incertezas ligadas à produtividade nos Estados Unidos, ao clima no Brasil, aos conflitos geopolíticos e aos fluxos comerciais devem manter a volatilidade elevada no mercado, segundo relatório da Hedgepoint Global Markets divulgado nesta sexta-feira (4). A consultoria também cita como fatores de influência as relações entre Estados Unidos e China, os conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro, o petróleo, o câmbio e a evolução do El Niño.
De acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Fernando G. Roque, o mercado entra no segundo semestre com fundamentos capazes de sustentar os preços, mas ainda cercado por riscos.
Para a soja, a consultoria projeta safra brasileira de 181,7 milhões de toneladas em 2026/27, em linha com a temporada anterior. A estimativa considera aumento de 0,9% na área plantada, abaixo do crescimento próximo de 3% estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo a Hedgepoint, preços mais baixos, custos elevados e fertilizantes mais caros reduziram a rentabilidade do produtor e tendem a limitar uma expansão mais agressiva da área e dos investimentos em tecnologia e insumos.
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A projeção para a soja brasileira não considera eventual efeito negativo do El Niño. As previsões indicadas pela consultoria são favoráveis ao plantio em setembro e outubro, mas apontam possibilidade de menos chuvas no Centro-Norte e maior umidade no Sul a partir de novembro. Para as exportações brasileiras de soja, a estimativa é de 114 milhões de toneladas, cerca de 6 milhões acima do recorde anterior, de 108 milhões.
No milho, a produção brasileira de 2025/26 é estimada em 140,3 milhões de toneladas. O consumo doméstico para etanol deve crescer cerca de 5,5 milhões de toneladas e pode se aproximar de 29 milhões com o E32. As exportações brasileiras são projetadas em 41 milhões de toneladas, estáveis ante a temporada anterior.
No mercado internacional, a Hedgepoint destaca diferenças entre estimativas para as safras dos Estados Unidos e da Argentina. Para o milho argentino, o USDA projeta 63 milhões de toneladas, enquanto estimativas locais se aproximam de 70 milhões. As exportações do país podem avançar de 29 milhões para cerca de 45 milhões de toneladas, superando o volume brasileiro. Na União Europeia, a produção de milho recuou de aproximadamente 57 milhões para 50 milhões de toneladas após ondas de calor, elevando a necessidade de importação.
Segundo a Hedgepoint, o cenário de soja e milho combina demanda firme, incertezas climáticas e concorrência internacional mais acirrada. Para o Brasil, as projeções mantêm volumes elevados de produção e exportação, com atenção ao clima, ao consumo de milho para etanol e ao comportamento da oferta global.
Fonte: Estadão Conteúdo
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