Idoso disse que tinha o sonho de aprender a tocar desde os 14 anos, mas, era algo que tinha esquecido. Agora, diz que o piano se tornou o “melhor amigo”; veja o vídeo.

Isolado há mais de dois meses por conta da pandemia do novo coronavírus, o piano se tornou “o melhor amigo”. Diariamente, o aposentado Carlos Luiz Gonçalves, de 76 anos, diz que acorda, se alimenta, toma o banho e já se prepara para o “encontro diário”, no qual ele toca canções e sente como se estivesse ganhando um abraço dos filhos, netos e amigos. Um deles, ao receber o primeiro vídeo, em Campo Grande, usou as redes sociais para falar do orgulho do pai.

“Antes da pandemia meu pai passava 15 dias comigo e os outros 15 com a minha irmã, em São Paulo. Ele mora lá e, desde que começou tudo, passou a ficar isolado no apartamento, principalmente, porque a minha irmã tem filhos pequenos. Meu pai é do grupo de risco e ainda está em tratamento contra um câncer, é a única coisa que o faz sair de casa, então, vê-lo tocando piano, foi algo que me surpreendeu e me deixou muito orgulhoso dele”, afirmou ao G1 o delegado e professor universitário André Matsushita Gonçalves.

Conforme o filho, desde o início do isolamento, houve uma preocupação muito grande com o aposentado, já que este não teria nenhuma ocupação. “Nós passamos o final do ano juntos, estivemos na praia e depois o diagnóstico do câncer no pulmão o deixou muito triste. Aliado a tudo isto, ainda tinha o fato dele estar no epicentro da doença no Brasil e ainda tinha parado de fazer esportes, algo que ele gostava bastante. Só que aí veio o piano e ele me surpreendeu tocando Asa Branca e até Beatles”, comentou.

O aposentado brinca que o neto é quem foi “seu primeiro professor e o fez reavivar este antigo sonho”. “Antes do isolamento, fui ver um conserto do meu neto, que estava aprendendo bateria e, na ocasião, relembrei do meu sonho, que era de aprender a tocar piano. Isso com 14, 15 anos. Falei para professora dele e ela me surpreendeu com a resposta: ‘Podemos começar amanhã?’. Foi aí que eu peguei o contato dela e disse que ia pensar com calma”, relembrou.

Idoso aprende a tocar piano durante a quarentena

No mês de fevereiro, Carlos fez a matrícula na escola de música. “Eu tinha aula uma vez por semana e, em seguida, foi decretada a pandemia. A escola então fechou e a dona me ofereceu de levar o teclado para casa. Pouco tempo antes, o diagnóstico do câncer tinha me deixado mal, péssimo. Só que daí eu percebi que não adiantaria ficar em depressão e decidi dar uma virada na minha vida. A doença foi controlada e eu ocupo o meu tempo tocando e até escrevendo contos”, ressaltou.

Segundo o idoso, os vizinhos o ajudam fazendo compras e também não se incomodam com os treinos diários dele. “Eu faço a aula online uma vez por semana e depois treino todos os dias, é algo que me ajuda muito. Estou isolado, então, é algo que faz bem pra alma e estou tendo esse prazer de estar evoluindo cada vez mais. A própria escola me pediu vídeos, então, aproveitei pra mandar para os meus filhos e fico aqui superando cada desafio que eles me propõem”, comentou.

Sobre o período de isolamento, Carlos fala que os idosos podem ser os mais atingidos, caso não cuidem da saúde mental. “Precisamos ocupar a cabeça, é claro que essa pandemia nos leva pra baixo, nos leva a pensar no pior. Eu sinto muita falta do contato com meus filhos, netos, amigos, do abraço destas pessoas, então vejo que esta é uma maneira de ocupar parte das 24 horas que temos e recebemos de presente todos os dias”, finalizou.

Fonte: G1 MS