Mulheres falam da rotina de trabalho, estudos e treinos para atuar em competições de laço.

É depois das aulas de matemática que a professora Tamara Medeiros Gonçalves Cayres, de 35 anos, veste a “melhor calça, bota, camisa e chapéu” e segue para o rancho, em Campo Grande. O filho também vai junto e ambos seguem ao encontro da égua, no mínimo três vezes por semana. A rotina, que já ocorre há 10 anos, é resultado da paixão em laçar animais.

“Sou uma peoa laçadora desde 2010. Eu comecei aos 25 anos. Atualmente minha rotina é de aulas pela manhã e o rancho durante à tarde, três vezes na semana. Lá eu faço os meus treinos, assim como nos finais de semana. A família do meu ex-marido laçava e lá eu comecei, é um esporte que quem começa não quer mais parar”, contou Tamara.

Com o tempo, a professora conta que adquiriu a própria égua, de nome Pátria. “Eu cuido muito dela, dou banho e lá no rancho o pessoal dá a alimentação. Eu passo shampoo, condicionador e, às vezes pego até o meu, pra ela ficar bem cheirosinha e bonitinha”, brincou.

Professora conta que medalhas foram conquistadas após muito treino e dedicação — Foto: Tamara Cayres/Arquivo Pessoal

Professora conta que medalhas foram conquistadas após muito treino e dedicação — Foto: Tamara Cayres/Arquivo Pessoal

O filho também segue o exemplo da mãe. “Eu tenho bastante medalha, graças a Deus. Tenho medalhas com o meu filho, mãe e filho, amazonas, em equipe e até de peão letrado. Eu pratico o esporte e nada escapa, só que tem que ter muito treino e dedicação”, argumentou.

Estudante de agronomia, Gabrieli Carpinedo Soares, de 20 anos, fala que também sonha com o momento de dizer que é uma laçadora profissional. Ela mora em Aquidauana, a 131 km de Campo Grande, e sempre está presente em rodeios e competições de laço.

Jovem fala que pretende conquistar seu espaço como mulher e se tornar laçadora profissional em MS — Foto: Gabrieli Soares/Arquivo Pessoal

“Atualmente estou só no boi parado, mas, gosto muito deste esporte e do campo, até porque estou estudando um curso voltado ao campo. Pretendo me formar para poder me sustentar e laçar. Eu priorizei a faculdade, mas, nas horas vagas estou na fazenda. Tenho primos laçadores, que tem cavalo e praticam esse esporte”, disse.

Segundo a jovem, todos podem a considerar uma mulher decidida e que pretende conquistar o seu espaço como laçadora. “Me considero bruta e rústica, sistemática nem tanto. Penso muito hoje em dia como uma mulher que tem que conquistar o seu espaço, mesmo em um esporte com maior público masculino, eu devo ter as minhas coisas conquistas”, finalizou.

Estudante de agronomia fala que é uma “mulher decidida e apaixonada pelo campo” — Foto: Gabrieli Soares/Arquivo Pessoal

Peoa em MS fala que filho vai junto e aprendeu a laçar com ela — Foto: Tamara/Arquivo Pessoal

Fonte: G1 MS