Eduardo Bim afirma que, após alta no número de focos, ação coordenada ajudou na redução em 16% no volume de queimadas

Créditos: Humberto Marques/Campo Grande News

Bim afirma que estrutura existente para combate a incêndios no país é suficiente, mas aponta necessidade de maior cooperação. (Foto: Kísie Ainoã)

O presidente nacional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Bim, reconheceu nesta segunda-feira (28), em Campo Grande, que houve períodos neste ano nos quais o total de incêndios superou a média história. Porém, além de destacar que ações coordenadas entre os órgãos que integram o Sisfogo (Sistema Nacional de Informações sobre o Fogo) atingiram os resultados esperados, a ocorrência de queimadas ocorre todos os anos e em diferentes locais do planeta.

“O mundo inteiro queima e o Brasil não é exceção. Neste ano tivermos um ou outro período acima da média histórica, mas depois houve redução. De agosto para julho, houve uma diferença significativa de 16%”, afirmou Bim durante a Wildfire (Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais), aberta hoje no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

Em setembro, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) anunciou que o país registrava mais de 100 mil focos de incêndio. No Pantanal, a alta na comparação com 2018 foi de 334%, até aquele mês. Só em Mato Grosso do Sul, os focos de calor consumiram nos últimos meses mais de 1 milhão de hectares, superando os 9,1 mil focos, levando a pedidos de ajuda federal que culminaram na vinda de cerca de 40 bombeiros e uma aeronave do Distrito Federal, helicóptero do governo de São Paulo e engajamento do Exército para o combate às chamas.

Bim reforçou que o problema enfrentado em Mato Grosso do Sul também foi sentido em outros biomas. “O problema com os incêndios foi nacional. Não foi só a Amazônica, onde se focou muito, mas o Esquema Cerrado, Esquema Pantanal, Esquema Mata Atlântica e Esquema Pampa, este menos, sofreram. O Ibama tem boas práticas, junto com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, responsável por gerência de parques nacionais), com 3,5 mil funcionários e uma rede de voluntariado para combater os incêndios”, disse.

Ele ainda destacou que sem a parceria com Estados e municípios, bem como apoio da sociedade civil, “não se chegaria a lugar nenhum na área ambiental, inclusive no combate ao incêndio”, reforçando o papel de voluntários nessas ações. Bim negou, porém, que falte estrutura ao Ibama. “Acho que temos estrutura adequada, mas, obviamente, tem de aperfeiçoar. Não é por isso que tem de melhorar. O objetivo da Wildfire é justamente esse, permitir uma troca de experiências e de boas práticas a serem usadas”.

Da mesma forma, o presidente do Ibama afirma que o contingenciamento decretado pelo presidente Jair Bolsonaro na estrutura federal atingiu a área meio do Ibama, e não a fim. “Continuamos com as operações em modo pleno”, destacou. Quanto aos episódios com os incêndios neste ano, disse que o aprendizado é de que “temos de trabalhar em sinergia e com uma melhor integração com os integrantes, que não o Ibama, ICMBio e Estados para aumentar o combate”. A intenção, complementou, é atrair órgãos como Forças Armadas e policiais para atuarem nesse campo. “Estamos analisando como o fazer mas, o importante, é prevenir”.

A Wildfire acontecerá até 4 de novembro em Campo Grande, reunindo representantes de cerca de 40 países para a troca de experiência no combate a incêndios. Aguardado para o evento, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alegou imprevistos em sua agenda e não pode comparecer.